A Linhagem de Vigevano: Pesquisa Histórica
Compêndio de fontes literárias, documentais e académicas sobre a origem da família.
Para reconstruir a história antiga do sobrenome, estruturámos a evidência em etapas cronológicas: desde os alicerces jurídicos do século XI até à confirmação historiográfica moderna.
I. O Contexto Jurídico (Século XI)
A base do poder das famílias consulares (como os Pozzo e Ardizzi) residia na liberdade jurídica da cidade. Para compreender o poder que detinham famílias consulares como os Pozzo (Putei) e os Ardizzi antes da ascensão dos Sforza, é necessário remeter-se à base legal da cidade.
🏛️ A Validação Académica (1914)
O historiador Alessandro Colombo (membro da Società Storica Lombarda, ativo no início do séc. XX), no seu estudo crítico "Le origini del comune di Vigevano e i suoi diplomi imperiali" (1914), ratificou a autenticidade dos diplomas que concediam independência à cidade.
O Dado Chave: Para validar estes documentos antigos perante os céticos, Colombo cita como autoridade fundamental o manuscrito do nosso antepassado: "(2) SIMONE DEL POZZO, Libro dell'Estimo generale...".
Em seguida, apresentamos o diploma fundacional que garantia que Vigevano não dependia de nenhum senhor feudal (nem de Milão, nem de Pavia), mas diretamente do Imperador. Isto explica a lealdade Gibelina da família.
📜 Diploma de Henrique IV (Ano 1065)
"ENRICO IV, RE DEI ROMANI, DICHIARA I BORGHI DI VIGEVANO, SIRPI, PREDUCLA E VENTICOLONNE LIBERI ED ESENTI DA OGNI GIURISDIZIONE O SIGNORIA, SIA LAICA CHE ECCLESIASTICA, SALVO I DIRITTI DELL'IMPERO (1065).
IN nomine sancte et indiuidue Trinitatis. Heinricus dei gracia rex Romanorum: Semper Augustus. Predecessores nostri Reges et Imperatores sicut in ystorijs, et Regum gestis repperimus Regna, et Imperia eorum decorauerunt, et statum rei publice magnificauerunt. Cum Justis peticionibus fidelibus conscilijs suorum fidelium Jndubitanter crediderunt."
"HENRIQUE IV, REI DOS ROMANOS, DECLARA OS BURGOS DE VIGEVANO, SIRPI, PREDUCLA E VENTICOLONNE LIVRES E ISENTOS DE TODA JURISDIÇÃO OU SENHORIO, QUER LEIGO OU ECLESIÁSTICO, SALVO OS DIREITOS DO IMPÉRIO (1065).
Em nome da Santa e Indivisa Trindade. Henrique, pela graça de Deus Rei dos Romanos, Sempre Augusto. Os nossos predecessores, Reis e Imperadores, assim como encontramos nas histórias e gestas dos Reis, decoraram os seus Reinos e Impérios, e magnificaram o estado da república [a coisa pública]. Quando com justas petições e fiéis conselhos dos seus fiéis indubitavelmente creram [confiaram]."
A. O Poema de 1490
Antes de que Simone del Pozzo escrevesse em 1550 a sua crónica, "Libro d'Estimo generale della città di Vigevano...", o Padre Agostino Della Porta publicou em 1490 o poema latino "De originibus populi viglevanensis" (Sobre as origens do povo de Vigevano). Nesta obra, o autor enumera as famílias "fundadoras" e mais antigas da cidade.
🔍 A Hipótese do Silêncio
A análise deste texto revela um dado crucial por omissão: Della Porta lista os "Putei" (Dal Pozzo) entre as linhagens ancestrais, mas NÃO menciona os Ardizzi nesta lista fundacional.
Nossa Conclusão: Isto constitui uma prova externa que valida o manuscrito de 1550. Se nas "origens míticas" só existem os Pozzo, confirma-se que Ardizzi é um ramo posterior que se desprendeu do tronco milenário dos Pozzo. A identidade original é, indiscutivelmente, Gens Putea.
📜 Ver Transcrição Latina e Tradução Completa
"...Nec non Barbassus, et philosarchica semper
Ecclesiana domus; Vaggi, et pyra lutea dudum
Bettica progenies; Bonfiglia, Parona, Prauci;
Et Bellatiadae, Montani, Alasia, Brisci,
Bullia, Laquenses, Lancellotique, Scotique:
Bagniadae, Frisci, Garoni, Steva, Putei;
Compluresque alii quondam hinc prodiisse feruntur."
"...e também [a família] Barbavara, e a sempre amiga do poder
casa Ecclesia; os Vaggi, e a pera amarela de outrora [fogo/luz?]
progénie Bettica; os Bonfiglio, Parona, Prauci;
E os filhos de Bellati, Montani, Alasia, Brizzi,
Bullia, os do Lago [Lacchiarella?], e os Lancelotti, e os Scotti:
os Bagni, Frisiani, Garoni, Steva, [os] Putei [Linhagem Dal Pozzo];
e muitos outros [dos quais] se diz que antigamente saíram daqui."
Fonte: Della Porta, Agostino (1490). "De originibus populi viglevanensis". Publicado em Miscellanea di Storia Italiana, Vol. XXXI (1892), p. 417.
B. "Libro d'Estimo generale della città di Vigevano...". Simone del Pozzo (1550)
A fonte primária direta. Inclui a análise crítica dos Fólios 56 e 549, onde o cronista identifica o fundador "Arditio de Puteo" [Ardicio del Pozzo] e certifica a unidade legal da linhagem.
III. Fontes Documentais (Séculos XV-XVII)
Documentos oficiais e bibliografia antiga que confirmam o estatuto nobiliário e a atividade diplomática.
📜 Fonte 1: "Vigevano Illustrato" (1648)
📋 Dados da Fonte
- Título: Vigevano Illustrato.
- Autor: Egidio Sacchetti.
- Publicação: Milano, 1648. Imprenta Ramellati.
- Referência: Páginas 83-84 (Família ARDIZZI) - Páginas 124-125 (Família POZZI e dal Pozzo).
🇮🇹 Texto Original
"ARDICII, casata nobile, & antica, in Vigevano, annoverata fra le prime dal P. Porta co' gl'infrascritti versi:
Ardicijs superba domus, cui desuper uni / Exhibitum est, inter nostrorum nomina Patrum. / Stulta pati, sapiensq mori; & malo vivere saepe; / Praeq; alijs efferre suos...
Et il Corio ne fa parimente mentione nell'Historia par. 5. raccontando, come, e quando, i Vigevenaschi confinorno a Milano li Colli, e gli Ardicij, e i loro amici, della parte Gibellina.
De i quali fù Christoforo Ardici, fondatore della Capella di S. Christoforo nella Cathedrale; & Abrahamo, co'l fratello, Antonio, furono gli fondatori della Chiesa di S. Hieronimo, e di S. Maria Maddalena, ch'arrichirno di molte sante reliquie, e di diversi apparati sacri; & ottennero dal Sommo Pontefice Eugenio quarto Indulgenze perpetue, sì per l'istessa, come per la Chiesa di N.S. detta S. Maria di sotto, a loro raccomandata, ch'vltimamente è stata abbellita con misteriose figure, per opra del Vescovo Pietro Giorgio Odescalco: dove Papa Martino V., venendo dal Concilio di Basilea, entrò co' la mula sotto il Portico avanti essa Chiesa, e, posta la mano sopra la Porta, fece oratione, e poi concesse Indulgenza plenaria a qualunque la visitasse, con farvi oratione i Venerdì di Marzo, come s'andasse a visitar' il santo Sepolchro a Gerusalemme, secondo l'osservatione del Cancelliero Pozzo nel detto libro della descrittione al fol. 630.
Et il detto Abrahamo fù più volte Ambasciatore del Duca Filippo Maria al Rè di Francia, & al Rè di Napoli, Renato, Duca d'Angiò, Conte di Provenza &c., dal quale nebbe in dono il Castello, e la Terra, di Colonella nell'Abbruzzo, con titolo di Conte, per lui, e per i descendenti legitimi dell'un', e dell'altro, sesso: e com'appare dalla copia del Privilegio registrata dal Pozzo nell'allegato libro della descrittione pag. 610., & anco fù l'istesso Abrahamo Governatore d'Alessandria per il Duca Filippo Maria; del quale fù parimente Ambasciatore appresso il Rè di Francia il sudetto Antonio; e dopo la morte d'esso Duca, il medesimo Abrahamo fù quello, che con amplo mandato del Consiglio Generale di Vigevano concertò li capitoli dell'accordo con il Conte Francesco Sforza l'anno 1449, che fù poi indi a poco Duca di Milano; e del sudetto Antonio fù figliuolo un'altro Antonio, Abbreviatore Apostolico, sepolto in Roma alla Minerva, com'ivi in marmo scritto si legge.
E di questa famiglia furono parimente duoi Preuosti della Chiesa maggiore di Vigevano, l'uno dopò l'altro, huomini dottissimi, e di grand'authorità; dei quali il primo fù l'authore della detta Chiesa fatta a spese del Commune avanti l'vltima del Duca Francesco secondo, e del campanile, c'hora si vede; & il secondo fù Dottor di leggi, Daniele Ardicio, Commissario Apostolico, nell'Instromento della fondatione della Chiesa, e Convento di S. Pietro martire del 1446., del quale era fratello Giuliano Ardicio, Cancelliero della Communità per longo tempo; doppo la cui morte la famiglia Ardicia è sempre andata di mal' in peggio, come quelli dell'oro Tholosano, come dice il Pozzo nel libro ceruleo al fol. 56., il quale nell'istesso scrive ch'essa famiglia è un ramo di quella del Pozzo, così detta dall'authore Ardicio del Pozzo; e d'essa hor viue, solo d'età maggiore, Gio. Battista Ardicio, Gentilhuomo di tenui facoltà."
🇪🇸 Tradução:
"ARDIZZI (ARDICII), linhagem nobre e antiga em Vigevano, enumerada entre as primeiras pelo Padre Porta com os seguintes versos:
A soberba casa dos Ardizzi, à qual unicamente do alto / Se concedeu, entre os nomes de nossos Pais / Sofrer as tolices, e saber morrer; e muitas vezes viver mal; / E elevar os seus acima de outros...
E [Bernardino] Corio faz igualmente menção dela na sua História (parte 5), relatando como e quando os vigevaneses confinaram a Milão os Colli e os Ardizzi, e os seus amigos, do partido Gibelino.
Dos quais foi Cristóvão (Christoforo) Ardizzi, fundador da Capela de São Cristóvão na Catedral; e Abraão (Abrahamo), juntamente com seu irmão António, foram os fundadores da Igreja de São Jerónimo e de Santa Maria Madalena, que enriqueceram com muitas santas relíquias e diversos ornamentos sagrados; e obtiveram do Sumo Pontífice Eugénio IV indulgências perpétuas, tanto para a mesma, como para a Igreja de Nossa Senhora chamada Santa Maria 'di sotto', a eles encomendada, que ultimamente foi embelezada com misteriosas figuras, por obra do Bispo Pietro Giorgio Odescalco: onde o Papa Martinho V, vindo do Concílio de Basileia, entrou com a mula sob o Pórtico diante dessa Igreja, e, posta a mão sobre a Porta, fez oração, e depois concedeu Indulgência plenária a qualquer que a visitasse, fazendo oração ali às Sextas-feiras de Março, como se fosse visitar o Santo Sepulcro em Jerusalém, segundo a observação do Chanceler Pozzo no dito livro da descrição ao fólio 630.
E o dito Abraão foi várias vezes Embaixador do Duque Filipe Maria [Visconti] junto do Rei de França e junto do Rei de Nápoles, Renato, Duque de Anjou, Conde de Provença, etc., de quem recebeu em doação o Castelo e a Terra de Colonella nos Abruzos, com título de Conde, para si e para os descendentes legítimos de um e outro sexo: e como aparece na cópia do Privilégio registada por Pozzo no anexo livro da descrição p. 610., e também foi o mesmo Abraão Governador de Alexandria para o Duque Filipe Maria; do qual foi igualmente Embaixador junto do Rei de França o supracitado António; e após a morte do dito Duque, o mesmo Abraão foi quem, com amplo mandato do Conselho Geral de Vigevano, concertou os capítulos do acordo com o Conde Francisco Sforza no ano 1449, que foi logo depois Duque de Milão; e do supracitado António foi filho outro António, Abreviador Apostólico, sepultado em Roma na [igreja de] Santa Maria sopra Minerva, como ali em mármore escrito se lê.
E desta família foram igualmente dois Prepósitos da Igreja maior de Vigevano, um após o outro, homens doutíssimos e de grande autoridade; dos quais o primeiro foi o autor da dita Igreja feita a expensas do Comum [Município] antes da última [reforma] do Duque Francisco segundo, e do campanário, que agora se vê; e o segundo foi Doutor em leis, Daniele Ardizzi, Comissário Apostólico, no Instrumento da fundação da Igreja e Convento de São Pedro mártir do ano 1446, do qual era irmão Giuliano Ardizzi, Chanceler da Comunidade por longo tempo; após cuja morte a família Ardizzi tem sempre ido de mal a pior, como aqueles do 'Ouro de Tolosa', como diz Pozzo no livro cerúleo ao fól. 56, o qual no mesmo escreve que esta família é um ramo da de 'Del Pozzo', assim chamada pelo seu autor [fundador] Ardicio del Pozzo; e dela agora vive, só de idade maior, Gio. Battista Ardizzi, Gentil-homem de tenues faculdades."
🇮🇹 Texto Original
"POZZI, e dal Pozzo, agnatione trà l'antiche del suo tempo, nominata dal P. Porta; della quale si fà mentione di Bartholomeo dal Pozzo, per huomo di lettere, duceto anni fà, e di Gioanni dal Pozzo, e di Gio. Maria dal Pozzo, huomini altresì letterati, cento cinquanta anni sono; e sopra tutti è degno d'esser lodato, il Cancelliero, per molte decenne d'anni, della Communità, Simone dal Pozzo, più volte sopr'allegato, per haver'egli più d'ogn'altro affaticato, scrivendo, a servitio, & honore di questa sua patria; il cui padre fù Vincenzo dal Pozzo, figlio di Gio. Iacomo, che fù Figliuolo di Stefano dal Pozzo, fondatore della Chiesa, & dell'Hospitale di S. Antonio per i Peregrini, come l'istesso Cancelliero scrive nel libro della descrittione al fol. 617. & il cugino d'esso, il grande Dottor di leggi, Francesco dal Pozzo, fù Lettore per molt'anni in Turino prima, e poi in Pisa, condotto dalla Repub. Fiorentina; finche dell'anno 1500. fatto dal Rè di Fracia, Lodouico, Pretore, e Gouernatore, di Potremolo, iui terminò li giorni della vita sua mortale; e di questa casata, pur fù Hieronimo dal Pozzo, che l'anno 1574. fù fondatore dell'Hospit. dell'Immaculata Concett. per gl'infermi; e d'essa gente dal Pozzo è la Capella di S. Antonio, e di S. Rocho, nella Cathedrale, com'attesta il detto Cancelliero nel sodetto libro della descrittione al fol. 550."
🇪🇸 Tradução:
"POZZI, e Dal Pozzo, linhagem [contada] entre os antigos do seu tempo, nomeada pelo Padre Porta; da qual se faz menção de Bartolomeo dal Pozzo, como homem de letras, há duzentos anos, e de Giovanni dal Pozzo, e de Gio. Maria dal Pozzo, homens igualmente letrados, há cento e cinquenta anos; e sobre todos é digno de ser louvado o Chanceler da Comunidade [Câmara Municipal] por muitas décadas, Simone dal Pozzo, citado acima muitas vezes, por se ter ele fatigado [esforçado] mais que nenhum outro, escrevendo, ao serviço e honra desta sua pátria; cujo pai foi Vincenzo dal Pozzo, filho de Gio. Iacomo, que foi Filho de Stefano dal Pozzo, fundador da Igreja e do Hospital de Santo António para os Peregrinos, como o mesmo Chanceler escreve no livro da descrição ao fól. 617. E o primo deste, o grande Doutor em leis, Francesco dal Pozzo, foi Leitor [Professor Universitário] por muitos anos em Turim primeiro, e depois em Pisa, contratado pela República Florentina; até que no ano 1500, feito Pretor e Governador de Pontremoli pelo Rei de França, Luís [XII], ali terminou os dias da sua vida mortal; e desta casa [linhagem], também foi Jerónimo [Girolamo] dal Pozzo, que no ano 1574 foi fundador do Hospital da Imaculada Conceição para os enfermos; e dessa gente 'dal Pozzo' é a Capela de Santo António, e de São Roque, na Catedral, como atesta o dito Chanceler no sobredito livro da descrição ao fólio 550."
🔍 Resultados da Análise Curatorial
📜 Fonte 2: Chancelaria Sforzesca (1450-1453)
Transcrição de registos do Arquivo de Estado de Milão que demonstram a relação direta entre a família e os Duques Sforza.
📜 1450 settembre 22 | 22 de Setembro de 1450 (Francesco Sforza a L. Bolleri)
Registo n. 2
Domino Ludovico de Bolero, vicecomiti Relaime et de Monte, et cetera.
Ut primum recepimus litteras magnificencie vestre, quibus requirit ut ad eam mittere velimus unum ex nostris intelecturum quecumque dicere voluerit statum nostrum concernencia, scripsimus indilate ad Abraam de Ardiciis ut eo proficiscatur et veniet certi sumus. Rengraciamur autem magnificencie vestre ex eo quod pro negociis fidum a nobis nuncium postulaverit, ex inde quod singularem in nos affectionem declaraverit in favorem Iohannis de Centalo, subditi vestri, scripsimus opportune ad locuntenentem nostrum Alexandrie, nec dubitamus quin virtute litterarum nostrarum et respectu magnificencie vestre, eidem Iohanni rem gratam facere studebit. Iniungimus etiam prefato locuntenenti nostro quod arma, de quibus in cedula vestra agitur eidem magnificencie vestre restitui faciet. Ad cuius beneplacita queque ex animo parati sumus.
Mediolani, xxii septembris 1450.
Cichus.
Registo n. 2
Ao Senhor Ludovico de Bolero, visconde de Relaime e de Monte, etc.
Logo que recebemos as cartas de Vossa Magnificência, nas quais requer que queiramos enviar-lhe um dos nossos para entender qualquer coisa que queira dizer concernente ao nosso estado, escrevemos sem demora a Abramo Ardizzi para que parta para aí, e estamos certos de que virá. Agradecemos a Vossa Magnificência por ter solicitado um mensageiro de confiança de nós para estes negócios, e por ter declarado o seu singular afeto para connosco em favor de Giovanni de Centalo, seu súbdito; escrevemos oportunamente ao nosso lugar-tenente em Alexandria, e não duvidamos que em virtude das nossas cartas e por respeito a Vossa Magnificência, se esforçará por fazer algo grato ao mesmo Giovanni. Ordenamos também ao nosso mencionado lugar-tenente que faça restituir a Vossa mesma Magnificência as armas de que se trata na sua cédula. Para cujos beneplácitos estamos de coração preparados.
Cicco.
📜 1450 dicembre 11 | 11 de Dezembro de 1450 (Sforza a Abramo Ardizzi)
Registo n. 2
Abrae de Ardiciis.
Veduto quanto ne scrivi, quanto ala parte dele novelle de là non accade altra resposta se non che hai facto bene et de tuto te comendiamo, quanto ala parte de monsignò lo bayli de Aste, qual debe venire da nuy, havemo caro che tu lo receva honorevelemente et gli faci careze, compagnia et ogni bono tractamento.
Laude, xi decembris 1450.
Cichus.
Registo n. 2
A Abramo Ardizzi.
Visto quanto nos escreve, quanto à parte das novidades de aí não é necessária outra resposta senão que fez bem e de tudo o encomendamos; quanto à parte de Monsenhor o Bailio[2] de Asti, o qual deve vir ter connosco, é-nos grato que o receba honrosamente e lhe faça carícias [agrados], companhia e todo bom tratamento.
Lodi, 11 de dezembro de 1450.
Cicco.
📜 1451 gennaio 11 | 11 de Janeiro de 1451 (Sforza a T. Ghilino)
Registo n. 4, missiva 70
Potestati (1), comuni et hominibus Vigleveni.
Siamo convenuti con Abraam deli Arditii, messo de vuy homini, per la richiesta che vi habiamo facta de ducati milli d'oro in questi nostri bisogni, debbiati pagare ala Camera nostra ducati quatrocento d'oro tanto et il resto ve sia remesso liberamente, il perché vi commectiamo et volimo che havuta questa debiati in modo provedere che per tucta la septimana che vene habiamo moza cinquanta de frumento per quello pretio che convenuto el decto Abraam cum li Magistri dele intrate nostre, el quale vi sia compensato in la summa deli dicti quatrocento ducati, et del resto d'essi denari debbiati respondere ad Martino da Corte, nostro cittadino milanese, per satisfatione de certa quantità de vino ce ha dato per uso dela corte nostra, secundo il prenominato Abraam ordinarà, avisando dapoy li predicti Magistri dela quantità de denari havirete dato al dicto Martino, etiam d'esso formento, aciocheé avisati possano sopra ciò far fare le scripture oportune et necessarie. Et facte havirete le predicte cose, ve liberamo per la presente dela dicta rechiesta, et tu potestà per questa casone non lassi per alcuno modo molestarli.
Mediolani, xi ianuarii 1451.
Cichus.
Antonius.
Iohannes.
Iohannes Petrus.
Christoforus.
Registo n. 4, missiva 70
Ao Podestà[1] (1), comuna e homens de Vigevano.
Acordámos com Abramo Ardizzi, enviado dos vossos homens, pela petição que vos fizemos de mil ducados de ouro para estas nossas necessidades, que deveis pagar à nossa Câmara quatrocentos ducados de ouro somente, e o resto vos seja remetido livremente; pelo qual vos encomendamos e queremos que, havendo recebido esta, deveis prover de tal modo que para toda a semana que vem tenhamos cinquenta moggia[3] de trigo por aquele preço que convieram o dito Abramo com os Mestres das nossas entradas, o qual vos seja compensado na soma dos ditos quatrocentos ducados, e do resto desses dinheiros deveis responder a Martino da Corte, nosso cidadão milanês, para satisfação de certa quantidade de vinho que nos deu para uso da nossa corte, segundo o prenomeado Abramo ordenar, avisando depois os preditos Mestres da quantidade de dinheiros que tiverdes dado ao dito Martino, e também desse trigo, para que avisados possam sobre isso fazer as escrituras oportunas e necessárias. E feitas as preditas coisas, liberamo-vos pela presente da dita petição, e vós Podestà[1] por esta causa não deixeis de modo algum molestá-los.
Milão, 11 de janeiro de 1451.
Cicco.
António.
João.
João Pedro.
Cristóvão.
📜 1452 aprile 20 | 20 de Abril de 1452 (Salvo-conduto)
Registo n. 10, missiva 23
[5r] Dux Mediolani et cetera, Papie Anglerieque comes ac Cremone dominus, supplicatum est nobis parte Caruli Surigoni ac Iohannis Francisci et Batiste, filiorum eius civium mercatorum Mediolani, ut cum eis concessum sit validum salvumconductum veniendi ad hanc inclitam civitatem Mediolani et aliis in locis quibuslibet et in eis morari et redire per infrascriptos eorum creditores, videlicet dominum Bartholomeum Moronum, Dionisium de Garbagnate nomine heredum Tomasii de Garbagnate, Gulielmum de Marliano, Martinum de Curte, magnificum comitem Filipum Bonromeum, Melchionem de Arluno et Abraam de Ardicis, duobus mensibus valiturum dignemur approbare et confirmare, mandare quod, dicto durante termino, nequeant antedicti pater et filii quoquo molestari ad instantiam aliquorum eorum creditorum, volentes in requisitis, quantum licet, supplicantibus annuere si creditores prenominati sunt ex quatuor partibus, tres partes tam respectu numeri personarum quam quantitatis debiti, iuxta formam provisionis super his edite et cetera in ea provisione contenta(a) sint complecta, eo casu tenore presentium fidantiam et salvumconductum per tempus suprascriptum firmiter duraturum afirmamus et approbamus mandantes quibuscumque ofitialibus et ius dicentibus ac subditis nostris ad quos spectat et spectabit quatenus has nostras approbationis et confirmationis litteras observent et faciant imviolabiliter observari, in quorum testimonium presentes fieri et registrari iussimus nostri que sigeli munimine robari.
Data Mediolani, die xx aprilis MCCCCLsecundo.
Registo n. 10, missiva 23
Duque de Milão, etc., conde de Pavia e de Angera e senhor de Cremona. Foi-nos suplicado por parte de Carlo Surigono e de Giovanni Francesco e Battista, seus filhos cidadãos mercadores de Milão, que visto que lhes foi concedido um salvo-conduto válido para vir a esta ínclita cidade de Milão e a quaisquer outros lugares, e neles morar e voltar, por parte dos seus infrascritos credores, a saber o senhor Bartolomeo Morone, Dionigi da Garbagnate em nome dos herdeiros de Tommaso da Garbagnate, Guglielmo da Marliano, Martino da Corte, o magnífico conde Filippo Borromeo, Melchiorre da Arluno e Abramo de Ardizzi, dignemos aprovar e confirmar que seja válido por dois meses, e mandar que, durante dito termo, não possam os preditos pai e filhos ser molestados de nenhum modo a instância de algum dos seus credores, querendo no requerido, quanto é lícito, aceder aos suplicantes se os credores prenomeados são três partes de quatro, tanto respeito ao número de pessoas como à quantidade da dívida, segundo a forma da provisão sobre isto editada e etcétera nessa provisão contida (a) sejam cumpridas, nesse caso ao teor das presentes afirmamos e aprovamos a fiança e salvo-conduto para durar firmemente pelo tempo sobrescrito, mandando a quaisquer oficiais e juízes e súbditos nossos a quem espetar e espetará que observem e façam observar inviolavelmente estas nossas cartas de aprovação e confirmação, em testemunho do qual mandamos fazer e registar as presentes e roborar com a proteção do nosso selo.
Dada em Milão, no dia 20 de abril de 1452.
📜 1452 aprile 28 | 28 de Abril de 1452 (Sforza ao Conselho de Justiça)
Registo n. 10, missiva 73
Doctoribus dominis Consilio (a) iustitie.
Dilectissimi nostri, requirit Iohannes Coyrus, civis noster Mediolani, provideamus quod in causa que vertitur inter eum, parte una, et Iohanem de Longis, Cristoforum de Bastiis, Iacobum de Ardiciis nec non Franciscum de Techis, omnes de Viglevano, parte ex altera, ocaxione datiorum et et cetera, de anno proxime elapso vobis commissa et deinde, ob pestem tunc vigentem, suspensa fuit cum iustitia procedatis, cum in presentiarum ab ea pestis infectione hec nostra civitas, divina clementia, liberata sit. Scribimus propterea vobis quod ad ilius cognitionem et terminationem, partibus ipsis vocatis, procedatis, prout vobis convenire videbitur dicta suspensione non actenta.
Data Mediolani, die xxviii aprilis MCCCCLsecundo.
Registo n. 10, missiva 73
Aos doutores senhores do Conselho (a) de Justiça.
Dilectíssimos nossos, requer Giovanni Corio, nosso cidadão de Milão, que providenciemos que na causa que versa entre ele, por uma parte, e Giovanni Longhi, Cristoforo de Bastiis, Giacomo de Ardizzi e também Francesco de Techiis, todos de Vigevano, pela outra parte, em ocasião de impostos e etcétera, a vós cometida no ano próximo passado e depois, pela peste então vigente, suspensa foi, procedam com justiça, já que ao presente dessa infeção de peste esta nossa cidade, por clemência divina, foi liberada. Escrevemo-vos portanto que procedam ao seu conhecimento e terminação, citadas as mesmas partes, segundo vos parecer convir não atenta a dita suspensão.
Dada em Milão, no dia 28 de abril de 1452.
📜 1452 settembre 24 | 24 de Setembro de 1452 (Sforza ao Capitão de Casteggio)
Registo n. 10, missiva 686
Capitaneo Clastigii.
Abraam deli Ardicii da Viglevano dice dovere havere certi debitori in quella terra nostra de Clastigio et in la iurisdictione tua, como intenderai per la supplicatione sua presente inclusa. Pertanto te scrivemo et committemo che al dicto Abraam contra qualunca suo debitore, per quale cason voglia se sia et de quanta quantitate, administri rasone summaria et expedita constrengiendo tali debitori, constandote del vero suo credito, per ogni via et rasone a farce el debito suo interamente et cum ogni celeritate possibili, perché havemo ad adoprare esso Abraam in nostri servitii, et questo volemo faci aliquibus in contrarium non attentis.
Ex felicibus nostris castris apud Lenum, die xxiiii septembris 1452.
Registo n. 10, missiva 686
Ao Capitão de Casteggio.
Abramo Ardizzi de Vigevano diz dever ter certos devedores naquela nossa terra de Casteggio e na sua jurisdição, como entenderá pela sua súplica presente incluída. Portanto escrevemo-vos e cometemos que ao dito Abramo contra qualquer dos seus devedores, por qualquer causa que seja e de quanta quantidade, administre razão sumária e expedita constrangendo tais devedores, constando-lhe do seu verdadeiro crédito, por toda via e razão a satisfazer o seu débito inteiramente e com toda a celeridade possível, porque havemos de empregar esse Abramo nos nossos serviços, e isto queremos que faça sem atender a nada em contrário.
Dos nossos felizes acampamentos em Leno, no dia 24 de setembro de 1452.
📜 1452 settembre 26 | 26 de Setembro de 1452 (Sforza ao Podestà de Novara)
Registo n. 10, missiva 687
Potestati Novarie.
Porrexit nobis his inclusam supplicationem Abraam de Arditiis de Viglevano, cancellarius noster dilectus: eius itaque attento tenore, scribimus tibi et committimus quatenus, evocato nominato inibi Zanino dela Crocia, studeas de iuribus partium diligentem informationem assumere et, prout compertum habueris, iustitiam facias et ministres summarie, simpliciter et de plano, sine strepitu et figura iudicii, cavillationibus et frivolis exceptionibus abiectis quibuscumque, facti veritate attenta, et quanto celerius fieri possit, cum eundem Abraam in nostris habeamus servitiis operari.
Data in nostris felicibus castris apud Lenum, die xxvi septembris 1452.
Registo n. 10, missiva 687
Ao Podestà[1] de Novara.
Apresentou-nos a súplica aqui incluída Abramo de Ardizzi de Vigevano, nosso dilectíssimo chanceler: portanto, atento ao seu teor, escrevemo-vos e cometemos que, evocado o aí nomeado Zanino dela Croce[2], estude assumir diligente informação dos direitos das partes e, segundo o que houver descoberto, faça justiça e administre sumariamente, simplesmente e de plano, sem estrépito e figura de juízo, rejeitadas quaisquer cavilações e exceções frívolas, atenta a verdade do facto, e quanto mais celeremente possa fazer-se, já que o mesmo Abramo o temos a trabalhar nos nossos serviços.
Dada nos nossos felizes acampamentos em Leno, no dia 26 de setembro de 1452.
Glossário e Notas Históricas
- Podestà [1]
- Na Itália medieval e renascentista, o Podestà era a máxima autoridade civil e judicial de uma cidade. Geralmente era um estrangeiro (não local) contratado por um tempo determinado para garantir imparcialidade na administração da justiça e governo.
- Bailio (Bailo) [2]
- Título administrativo ou diplomático. Neste contexto, refere-se a um governador ou representante com autoridade numa praça ou território específico (como Asti).
- Moggia [3]
- Plural de moggio. Antiga unidade de medida de capacidade para áridos (grãos) e líquidos, utilizada em várias regiões de Itália. Em Milão, um moggio de trigo equivalia aproximadamente a 146 litros.
- Nota (1)
- Identificado como Tommaso Ghilino (cf. SANTORO, Gli uffici, p. 355).
- Nota (2)
- No original: Zanino dela Crocia. Zanino é um nome próprio, diminutivo histórico de Giovanni (João).
III. Referência Académica: Dizionario Biografico
ARDIZZI, Abramo
Nascido em Vigevano na primeira metade do século XV. Pertencia a uma das famílias mais importantes da cidade, de parte Gibelina [3].
Em 1447, com a morte de Filippo Maria Visconti, foi um dos defensores da liberdade da sua cidade contra as pretensões da República Ambrosiana. Quando Francesco Sforza sitiou Vigevano em 1449, Abraão foi um dos encarregados de negociar a rendição, obtendo condições honrosas.
Entrou depois ao serviço dos Sforza, sendo nomeado Conselheiro Ducal e enviado em missões diplomáticas delicadas, especialmente a França (1451-1452) para negociar a aliança com Carlos VII, e a Nápoles junto do Rei Renato, de quem obteve feudos e títulos.
Fonte: Ghisalberti, Alberto Maria. Dizionario Biografico degli Italiani. Roma, Istituto della Enciclopedia Italiana, 1962. Vol. 4, p. 40.
IV. O Poder Real: Decurionato e Controlo de Recursos
Para além dos títulos nobiliários, o verdadeiro poder dos Ardizzi em Vigevano residia na sua participação ativa no governo local. A análise das Memorie Storiche Della Citta e Contado Di Vigevano de Biffignandi Buccella (1870) revela como o cargo de Decurião permitia o controlo da infraestrutura crítica.
1. O Conselho de Decuriões: Governo Executivo
Ser Decurião não era uma figura decorativa. O Conselho Geral tinha atribuições diretas sobre a vida económica da cidade:
- Fazenda: Gestão do Estimo (cadastro) e arrecadação fiscal.
- Justiça Civil: Resolução de disputas de limites e propriedades.
- Infraestrutura: Manutenção de caminhos e canais.
📜 Documento Chave: O Privilégio da Água (1480)
Data: 11 de dezembro de 1480.
Autoridade: Gian Galeazzo Maria Sforza, Duque de Milão.
Fonte: Biffignandi Buccella, P.G. (1870). Memorie storiche..., p. 579.
"Privilegio concesso... di potere estrarre per proprio uso l'acqua dal Naviglio."
TRADUÇÃO: "Privilégio concedido... de poder extrair para seu próprio uso a água do Naviglio [Canal Sforzesco]."
2. Do Comércio à Agricultura Intensiva
Este documento marca um ponto de viragem. Ao obter o controlo legal sobre as comportas do Naviglio Sforzesco, as famílias patrícias como os Ardizzi puderam transformar as suas terras em arrozais. O poder já não residia só na lã ou no comércio, mas na capacidade hidráulica para sustentar a nova agricultura intensiva da Lombardia.
V. Análise Historiográfica Moderna (1987): o Tronco de António
O estudo do livro "Metamorfosi di un Borgo" de Giorgio Chittolini (Professor de História Medieval da Universidade de Milão) permitiu-nos realizar um cruzamento de dados definitivo entre as fontes documentais modernas e o nosso Quadro Genealógico Antigo e confirmar definitivamente a genealogia.
O texto documenta a transição de Vigevano de um burgo rural para uma "pequena capital" sob a dinastia Sforza, colocando a família Ardizzi/Pozzo no ápice do poder político, económico e eclesiástico.
A convergência entre o Quadro Genealógico e o Texto Académico.
No Quadro Antigo
O pergaminho declara explicitamente:
"Primo Stipite da Antonium Pozzi Ardizzi figlio di Francesco..."
Identifica um "Antonio" como o primeiro ancestral do sobrenome composto, filho de Francesco.
Em "Metamorfosi di un Borgo"
Chittolini (p. 26) documenta a estrutura familiar baseada em arquivos notariais:
"Francesco Ardizzi... morì nel 1399; ebbe sette figli maschi: Gian Giorgio, Filippo, Gerardo, Ambrogio, Stefano, Giacomo e infine Antonius."
Confirma a existência histórica de António, filho de Francesco (m. 1399), validando a precisão do quadro genealógico familiar.
- António I "O Pai": Iniciador do património no Cantone (m. c. 1421).
- António II "O Irmão": Co-fundador de San Girolamo junto com Abraão (ver controvérsia entre fontes em www.poatirmonio).
- António III "O Romano": Abreviador Apostólico (sepultado em Santa Maria sopra Minerva, Roma).
1. A Dinastia Ardizzi: Poder e Nobreza (1399-1465)
O texto de Chittolini não só confirma nomes, mas reconstrói a biografia política da linhagem. Os Ardizzi não eram simples cidadãos; faziam parte da elite dirigente ("nobiles") que controlou o destino de Vigevano durante o século XV.
- O Patriarca Francesco (m. 1399): Descrito como "familiare ducale", título que denota uma proximidade pessoal e de confiança com a corte dos Visconti. A sua morte no final do século XIV marca o início da expansão familiar.
- O Ramo de António: Dos sete filhos de Francesco, o livro assinala que a descendência de António foi a mais relevante. António não só herdou o status, mas gerou a geração que consolidaria o poder: Abraão (o político) e Francesco e Daniele (os eclesiásticos).
Abramo Ardizzi: Dados Inéditos
O estudo fornece datas e cargos exatos que enriquecem a nossa biografia de Abraão (filho de António):
- 1447: Exerceu como Tesoureiro de Asti.
- 1449: Foi o artífice da "dedizione" (entrega negociada) de Vigevano a Francesco Sforza após a queda da República Ambrosiana.
- 1465 (Data de Morte): O livro confirma o seu falecimento neste ano: "Quando Abramo Ardizzi morì nel 1465...". O Duque escreveu pessoalmente a seu irmão Daniele para apresentar as suas condolências, reconhecendo que o defunto "tinha operado bem a favor do estado".
2. O Poder Paralelo dos "Del Pozzo"
Uma descoberta fascinante do texto é o tratamento da família "Del Pozzo" como uma potência paralela, por vezes aliada e vizinha, que evoluiu da propriedade da terra para a empresa mercantil. Enquanto os Ardizzi dominavam a diplomacia, os Del Pozzo dominavam a economia e o Conselho.
Destacam-se figuras como Giacomo del Pozzo (Licenciado em direito civil e juiz em 1396) e, sobretudo, Stefano del Pozzo. No início do século XV, Stefano aparece como um dos maiores "mercanti lanieri" (mercadores de lã) e reformador dos estatutos municipais em 1412. Esta transição de proprietários de terras a empresários têxteis foi a chave da riqueza de Vigevano.
⚔️ A Anedota do "Olho Arrancado" (1470)
O livro relata um episódio que ilustra o carácter apaixonado e o poder destes homens. No contexto das tensões políticas de 1470, Spiritino del Pozzo (filho ou neto do ramo Del Pozzo) ameaçou publicamente Giorgio Colli, líder da família rival.
Segundo os documentos de arquivo citados por Chittolini, Spiritino disse a Colli, na presença do próprio vigário ducal, que "lhe arrancaria um olho" ("gli avrebbe strappato un occhio"). Esta ameaça, lançada com impunidade perante a autoridade, demonstra o estatuto intocável de que gozava a família.
3. O Monopólio Eclesiástico
Finalmente, a análise confirma o controlo absoluto que a família exerceu sobre a vida religiosa. Chittolini afirma textualmente: "Gli Ardizzi monopolizzano, per tutto il '400, la prepositura" (Os Ardizzi monopolizam, durante todo o século XV, a prepostura de Santo Ambrósio).
Após a morte de Francesco Ardizzi (neto do patriarca), o cargo passou para seu irmão Daniele, e preparou-se a sucessão para seu sobrinho Gian Francesco, estudante de direito canónico. Este controlo familiar sobre a Igreja de Santo Ambrósio era um pilar fundamental do seu poder social, paralelo à sua influência política na corte de Milão.
VI. Novas Descobertas: A Diáspora e o Poder (Estudos Recentes)
A incorporação do estudo "Vigevano e i territori circostanti alla fine del medioevo" (G. Chittolini, ed.) permite-nos ampliar o horizonte genealógico para além da cidade, confirmando a presença da família na administração regional.
A. A Identificação de Filippo Ardizzi (1397-1409)
O ensaio de Enrico Roveda ("Vigevanesi fuori Vigevano...") fornece dados que nos permitem dar vida a "Filippo", listado na nossa árvore como filho do patriarca Francesco.
- 1397 (A Testemunha): Aparece como "Filippino Ardizzi" atuando como testemunha num ato notarial em Pavia, descrito como "discretus vir" (homem distinto/prudente).
- 1401 (O Podestà): A sua carreira política descola ao ser nomeado Podestà de Pallanza (máxima autoridade civil) no Lago Maggiore.
- 1409 (A Aliança): Casa a sua filha, Caterina Ardizzi, com o nobre pavês Antonio Canepanova, concedendo-lhe um dote de 375 florins, uma soma considerável para a época.
Fonte: Roveda, E. In: Vigevano e i territori circostanti... p. 74.
B. Os "4 principais" da diplomacia de Sforzesca
A investigadora Cristina Belloni realizou um censo exaustivo da correspondência diplomática (1450-1466). A sua conclusão estatística é contundente:
"...quatro homens exerceram uma espécie de monopólio sobre as missões mais delicadas: os Colli, os Cipollati e Abramo Ardizzi."
Fonte: Belloni, C. "Prime indagini...". Apêndice Documental.