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O Manuscrito de 1550

A crônica autógrafa de Simone del Pozzo: uma viagem direta ao século XVI.

📋 Fonte Primária

Título: "Libro d'Estimo generale della città di Vigevano e suo territorio con cronache e notizie stor. ed elenco delle materie in esso contenute 1550. Italia"

Autor: Dal Pozzo, Simone (Chanceler de Vigevano).

Fonte: Archivio Storico Comunale de Vigevano.

Este documento excepcional não é apenas um censo fiscal; é uma crônica familiar e política escrita por uma testemunha ocular. A seguir, apresentamos a transcrição integral dos fólios mais relevantes, organizados tematicamente.


Capítulo I: A Origem e a Identidade

Fólio Origem
Fólio 56 (aprox): A origem.

1. O Elo Perdido: "Ardicio del Pozzo"

👤 Perfil Histórico: Ardicio del Pozzo

  • Nome Original: Ardicio de Puteo (Latim) / Ardizzo dal Pozzo.
  • Período Estimado: Século XIV (c. 1340-1390).
  • Papel Genealógico: "Authore" (Fundador). É o patriarca que separou seu ramo do tronco principal da Gens Putea.
  • Legado: Seus descendentes adotaram o patronímico "Ardizzi" (Os de Ardicio) possivelmente para se diferenciarem.

    Séculos depois, um novo ramo surgirá a partir da união dos dois sobrenomes em um composto e supomos que com isso o desejo de reivindicar, de alguma forma, suas raízes: Pozzo Ardizzi.

Simone revela que os Ardizzi são um ramo cadete da antiga casa Del Pozzo.

A Fusão de Sobrenomes: Na segunda linha do texto, o autor escreve claramente: "si estima che sia final con la casata del Pozzo" (estima-se que seja finalmente com a casa do Pozzo). É a confirmação explícita de que Ardizzi e Del Pozzo são a mesma família.

A Diplomacia Francesa: O texto confirma que Antonio Ardizzi (pai de "muitos homens egrégios") esteve na Corte do Rei da França ("Corte del Re di Franza") e que há cartas do Duque Filippo Visconti que o atestam. Isso valida a história diplomática da família.

Giuliano Ardicio: Menciona-se Giuliano como o antecessor ("magnífico Giuliano"), reforçando a linha genealógica: Giuliano -> Antonio -> Filhos "egrégios".

📜 Ver Transcrição e Tradução
🇮🇹 Transcrição Original (Paleográfica):

"1. Capella de S. Christoforo delli Ardizi succ. ... Puer... Ardizi Questa famiglia di officiali nella Città si estima che sia final con la casata del Pozzo: come e descritto q[uesta] capella ne sono... ma se pui dessa vide ma io no ho voluto con tal riguardo alle ricchezze ma alle Nobiltà del Parentato g[ià] capita di questa nobilia sia stata in q[ues]ta terra io no lo dico p[er] che no pensi vi poterlo dire: a benche mi glide... altro H[a]bbia via q[ues]to nome ofus[cato] da capella fondata da uno mg. [magnifico] Giuliano Ardicio già per molti anni dal quale ne fu uno mg. [magnifico] Antonio del q[uale] similmente fu Padre de molti egregii Homini Come dico ni la descr[itt]ione de S. Maria de Sotto vinendo[?] ma solo dico di questo mg. Anto. [Antonio] che ho veduto Littere in Li registri della cam[er]a nostra scritte dal Duca F[ilippo] Visconte alla detta Comta che furono ... rispetto alli fioli [figli] de detto mg. Anto. per esser Lui alla Corte del Re di Franza, a beneficio ... qual beneficio sua S. [Signoria] ne usa et uno ..."
🇪🇸 Tradução (Combinada):

""1. Capela de São Cristóvão dos Ardizzi sucessores de Puero [ou Pedro?] Ardizzi. Esta família de oficiais [funcionários] na Cidade estima-se que seja final [finalmente a mesma / um único ramo] com a casa do Pozzo: ...de onde tem origem a família Ardizzi... assim chamada pelo autor [fundador] Ardicio del Pozzo. Como é descrito [n]esta capela [que] deles são... se mais dela vi: mas eu não quis com tal consideração às riquezas: mas à Nobreza do Parentesco [Linhagem] já conhecida desta nobreza [que] tenha estado nesta terra: eu não o digo porque não pense poder dizê-lo: embora me guie... outro Haja via [tido] este nome ofuscado [obscurecido] de capela fundada por um magnífico [título de honra] Giuliano Ardicio já por muitos anos do qual houve um magnífico Antonio, do qual similarmente foi Pai de muitos egrégios [ilustres] Homens. Como digo na descrição de Santa Maria de Sotto vindo [ao tratar o tema]: mas só digo deste magnífico Antonio que vi Cartas nos registros de nossa câmara escritas pelo Duque Filippo Visconti a dita Comunidade que foram [com] todo respeito aos filhos de dito magnífico Antonio, por estar Ele na Corte do Rei de França, a benefício ... qual benefício Sua Senhoria usa e um ... do seu nome foi chamado e foi o ..."

1a. "Uma Só Coisa": A Fusão Legal e o Nome

Além da origem genealógica, Simone del Pozzo faz uma declaração jurídica contundente: para a administração da cidade, as famílias não eram distintas, eram a mesma entidade legal.

📜 Ver Transcrição e Tradução (Fólio 549R)
🇮🇹 Transcrição (Fólio 549R):
"...Questa familia in li officiali della Citta si oserva una et simul con la casata Del Pozo..."
🇪🇸 Tradução:
"...Esta família nos oficiais [registros] da Cidade se observa [como] uma e simultânea [a mesma] com a casa Del Pozzo..."
🇮🇹 Transcrição (Final Fólio 549R):
"...E per che e cosa regionevole che essendo luna et laltra casa cio e arditio et Pozo sive Poza et Arditia per che essi ardicia casa sono in li offitij dessa Citta uno et idem..."
🇪🇸 Tradução:
"...E porque é coisa razoável que sendo a uma e a outra casa, isto é Ardicio e Pozzo ou Pozza e Ardizzi, porque essa casa Ardicia são nos ofícios dessa Cidade uno e idem [uma mesma coisa]..."

Análise do Genealogista: Esta é a prova documental mais forte da continuidade da linhagem. O cronista confirma que o sobrenome composto (ou seu uso intercambiável) já era uma realidade reconhecida legalmente no século XVI.

1b. A Prova de Roma: O Brasão na Minerva (1529)

Simone del Pozzo fornece um testemunho ocular irrefutável. Relata sua viagem a Roma em 1529, onde visitou o túmulo de Antonio Ardizzi (o Abreviador Apostólico) na igreja de Santa Maria sopra Minerva e confirmou sua identidade heráldica.

📜 Ver Transcrição e Tradução (Fólio 549R)
🇮🇹 Transcrição Original (Fólio 549R):
"...ne usa et uno altro fiolo q[ua]l dal suo nome fu appellato et fu q[ue]sto scriptor apostolico, morse nel suo officio a Roma et in la Chiesa appellata la Minerva sepulto et anchor ivi si vede la pietra dil suo sepulcro con la solita insigna Del Pozo, como qua si porta, la q[ua]l insigna lan[n]o 1529 io la vite, essendo in q[ue]l alma Citta, con molto dispiacere, come gia ho scritto in altro locho."
🇪🇸 Tradução Combinada:
"...[do qual benefício] se serve e outro filho o qual foi chamado por seu nome [Antonio] e foi este escritor [abreviador] apostólico, morreu em seu ofício [cargo] em Roma e na Igreja chamada a Minerva sepultado e ainda ali se vê a pedra de seu sepulcro com a habitual insígnia [brasão] Del Pozzo, como aqui se leva [usa], a qual insígnia o ano 1529 eu a vi, estando naquela alma Cidade, com muito desagrado [tristeza/dor], como já escrevi em outro lugar."

Nota: Simone del Pozzo confirma ter visto pessoalmente o brasão "Del Pozzo" no túmulo de Antonio Ardizzi em Roma, validando a identidade heráldica única.

Local de sepultamento em Roma.

1c. A Prova do Cadastro: "Ardicio del Pozzo"

Como provou Simone esta identidade perante a lei? Não foi só tradição oral. Ele relata que, durante um pleito fiscal, buscou nos arquivos antigos e encontrou a prova física.

📜 Ver Transcrição e Tradução (Fólio 549V)
🇮🇹 Transcrição (Fólio 549V):
"...voltando le scriture della p.ta [predetta] comunita si trovo un libro penso fosse de catastri ove era scritto Arditio de Puteo per il che ivi si manifesta oltra li altri fondamenti esser una et idem."
🇪🇸 Tradução Combinada:
"...revisitando [revisando] as escrituras da dita comunidade se encontrou um livro, penso fosse de cadastros, onde estava escrito Arditio de Puteo [Ardicio del Pozzo] pelo que ali se manifesta, ultra [além de] os outros fundamentos, ser una e idem [a mesma família]."

1d. O Clã "Del Pozzo": A Classificação Final

No fólio 565V (ao final do manuscrito), o cronista classifica as famílias de Vigevano. Não lista os Ardizzi como uma família separada, mas agrupa explicitamente todos os ramos sob o sobrenome tronco.

📚 Contexto Académico: O que é um Nobre?

Para entender a insistência de Simone del Pozzo, o historiador Giorgio Chittolini esclarece a definição legal da época:

"...aquelas famílias que 'vivem de suas rendas e não exercem nenhuma arte mecânica [trabalho manual]', e que são as únicas que podem ser admitidas no Conselho Geral."

— G. Chittolini, Metamorfosi di un borgo.

📜 Ver Listagem Original Completa
🇮🇹 Transcrição (Fólio 565V):
"Del Pozo
Del Pozo Arditij
Del Pozo Miseroli
Del Pozo Bachemini
Del Pozo Cabrij
Del Pozo Vanoni q[ue]sti da pochi an[n]i in qua habitanti"
🇪🇸 Tradução Combinada:
"Del Pozzo [Tronco Principal]
Del Pozzo Ardizzi [Nosso Ramo]
Del Pozzo Miseroli
Del Pozzo Bachemini
Del Pozzo Cabri
Del Pozzo Vanoni (estes habitando aqui desde há poucos anos)"

Estrutura do Clã

  • Del Pozo (Tronco Principal)
  • Del Pozo Arditij (Nosso Ramo)
  • Del Pozo Miseroli
  • Del Pozo Bachemini
  • Del Pozo Cabrij
  • Del Pozo Vanoni

2. A Metáfora do "Ouro de Tolosa"

O cronista utiliza uma referência clássica para descrever o colapso econômico do ramo Ardizzi por volta de 1550, vinculando-o diretamente com sua origem.

📜 Ver Transcrição e Tradução
🇮🇹 Transcrição Original (Paleográfica):
"...doppo la cui morte la famiglia Ardicia è sempre andata di mal' in peggio, come quelli dell'oro Tholosano, come dice il Pozzo nel libro ceruleo al fol. 56., il quale nell'istesso scrive ch'essa famiglia è un ramo di quella del Pozzo, così detta dall'authore Ardicio del Pozzo; e d'essa hor vive, solo d'età maggiore, Gio. Battista Ardicio, Gentilhuomo di tenui facoltà."
🇪🇸 Tradução (Combinada):
"...depois de cuja morte a família Ardizzi tem sempre ido de mal a pior, como aqueles do Ouro de Tolosa [riqueza amaldiçoada], como diz [Simone] del Pozzo no livro cerúleo ao fólio 56, o qual no mesmo escreve que essa família é um ramo da [família] del Pozzo, assim chamada pelo autor [fundador] Ardicio del Pozzo; e dela agora vive, só de idade maior, João Batista Ardizzi, Gentil-homem de tênues faculdades [recursos escassos]."

Nota Histórica: O 'Aurum Tolosanum' é uma referência clássica (Cícero) ao saque do templo de Apolo em Tolosa (106 a.C.), um tesouro que trazia a ruína a seus possuidores. Simone usa esta metáfora para explicar a rápida perda da fortuna familiar.

Fólio Tolosa

Capítulo II: A Fé e o Mecenato

Fundação Igreja
Fundação de S. Jerónimo e Sta. M. Madalena.

3. A Fundação Principal: São Jerónimo e Santa Maria Madalena

O manuscrito detalha quem foram os fundadores e a localização exata na cidade ("no Corso").

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🇮🇹 Transcrição Original (Paleográfica):

"[Encabezado] S. Hieron.o [Hieronimo] et S.ta Maria Magdelena
Questa chiesa fu fundata dal q. d. [quondam domino] Anto. [Antonio] Ardic. [Ardicio] del Pozo Ardicio padre che fu del q. d. Abraam. gli ambi dui furno homini grandi in q[ues]ta terra et altrove come diro. e per la g.lia [gloria] ne segue alli soi giorni gloria et Honore alla patria. e molta Utilità, per che furno homini de tal qualità. che furno grati a molti Principi etc. gli giorni : ms. Anto. ho viduto io littere in uno libro de littere in la Cam.a [Camera] g.l libro io tolgo per copiar una littera del Duca Philippo Visconte scritta alla Comta [Comunità] nra [nostra] quale raccomandava ad essa Comta li beni et fioli de detto ms. Ant.o; quale esso Duca Lo teneva..."
🇪🇸 Tradução (Combinada):

"São Jerónimo e Santa Maria Madalena
Esta igreja foi fundada pelo falecido senhor [quondam domino] Antonio Ardicio del Pozzo Ardicio, pai que foi do falecido senhor Abraão. Ambos foram homens grandes [magnatas/importantes] nesta terra e em outros lugares como direi. E pela glória [que] disso segue a seus dias glória e Honra à pátria [Vigevano]. E muita Utilidade, porque foram homens de tal qualidade, que foram gratos [apreciados] a muitos Príncipes etc. [naqueles] dias: De Micer Antonio tenho visto eu cartas num livro de cartas na Câmara [Ducal], o qual livro eu tomo para copiar uma carta do Duque Filippo Visconti escrita à Comunidade nossa, [a] qual recomendava a essa Comunidade os bens e filhos de dito Micer Antonio; ao qual esse Duque O tinha [em estima]..."

4. O Índice de Capelas: São Cristóvão e São Roque

O índice do livro confirma o patronato da família sobre capelas na igreja de Santo Ambrósio, compartilhando espaço com outras famílias nobres como os Colli.

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🇮🇹 Transcrição Original (Paleográfica):

"Diviso preliminare ... 545. a 547. t°
Chiese e Cappelle
Cappellanie nella Chiesa di S.t [Sant] Ambrogio, loro fondatori
Del Corpo di Cristo ... fol. 548 = 561.
di S. Giacomo e Filippo - Colli ... 548. t°
di S. Cristoforo - Ardizzi ... 549.
di S. Rocco - Dal Pozzo ... 549. t°
di S. Cristoforo e Giacomo - Biffignandi ... 551. 552
Dell'Annunziata - Ferrari ... 553. t°"
🇪🇸 Tradução (Combinada):

"Divisão preliminar [ou Seção introdutória] ... fólios 545 a 547. t° [verso/reverso]
Igrejas e Capelas
Capelanias na Igreja de Santo Ambrósio, [e] seus fundadores:
Do Corpo de Cristo [Corpus Christi] ... fólios 548 e 561.
de São Tiago e Filipe - [Família] Colli ... fólio 548. verso.
de São Cristóvão - [Família] Ardizzi ... fólio 549.
de São Roque - [Família] Dal Pozzo ... fólio 549. verso.
de São Cristóvão e Tiago - [Família] Biffignandi ... fólios 551, 552
Da Anunciada - [Família] Ferrari ... fólio 553. verso."

Nota do Genealogista: A aparição consecutiva (fólio 549 frente e verso) das capelas Ardizzi e Dal Pozzo na mesma igreja principal sugere a gestão compartilhada ou a continuidade da mesma linhagem.

Índice de Capelas

5. A Origem Antiga: Santa Maria de Sotto

Santa Maria de Sotto

Antes de construir a igreja nova no centro, a família possuía direitos sobre esta igreja antiga ("de Sotto"), vinculada à Abadia de San Maiolo.

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🇮🇹 Transcrição Original (Paleográfica):

"Per che si trova in la p[ri]ma descrittione molte terre ch' sono della chiesa de S. Maria de Sotto d[et]ta Principi delli Nobili del Pozo et antichi con obligo de far dire messa alla chiesa de S.[an]ta Magdalena in la contrada che va dalla via de Griona alla via de S. Martino e fonde sopra la piaza della chiesa de S. Fran[cesc]o ... per la via l'obligo che prima era de dir tal messa in la gie [chiesa] d'etta S.[an]ta M.[ari]a de Sotto ... Abbatia de S.to Maiolo ... la Gratia.

Trovasi ancha in detto libro molte terre della Abbatia de Morimondo terra del milanese, onde si como io sono di questo maraviglio o como tal terre fossero date a queste due Chiese e havendo con opera e con il mio debole ingegno fatto diligente inquisitione si come ... e quando..."
🇪🇸 Tradução (Combinada):

"Porquanto se encontram na primeira descrição [cadastro anterior] muitas terras que são da igreja de Santa Maria de Sotto [de Baixo], dita dos Principais dos Nobres del Pozzo e antigos [ancestrais], com obrigação de fazer dizer missa na igreja de Santa Madalena na comarca [bairro] que vai da rua de Griona à rua de São Martinho e dá [desemboca] sobre a praça da igreja de São Francisco... [mudando] pela via a obrigação que antes era de dizer tal missa na dita igreja de Santa Maria de Sotto... [vinculada à] Abadia de San Maiolo... a Graça.

Encontram-se também em dito livro muitas terras da Abadia de Morimondo, terra do milanês, pelo que, como eu estou disto maravilhado [surpreendido] de como tais terras foram dadas a estas duas Igrejas, e havendo com obra e com meu débil engenho feito diligente inquisição [investigação] de como... e quando..."

Capítulo III: Poder e Diplomacia

6. O Título de Conde de Colonnella

Simone narra como Abraão Ardizzi, graças à sua amizade com o Rei Renato de Anjou, recebeu o condado nos Abruzos.

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🇮🇹 Transcrição Original (Paleográfica):

"...cosa molto si relevava de far una liberaria. Et de belliss[im]e littere. per che a q[ue]lli tempi ancor no era in uso La Stampa. anzi dopo comiano.
E questo Abraam fu Imbasciator app[re]sso al Re Raynero q[ua]le si faceva dir Re de Neapole di Sicilia a Hierusalem. e Conte di Provenza. Onde dopo la sua grande cognoscenza con il memorato Re. Lo volse per se. dal Duca Philippo. Se lui lo teneva. a lo condure seco nel Regno Neapolitano alla conqsta di q[ue]llo:
Et per sua Gratitudine lo fece Conte dun Loro detto Collonella con La Baronia del Transito sopra l'ohome [fiume?] in mero e misto imp[eri]o perciò in C[api]toli perpetue. o come in esso il q[ua]le penso di poner qua dabasso a perpetua Memoria in Honor de gli tali, abenche alli p[rese]nti giorni sia tal casata molto declinata."
🇪🇸 Tradução (Combinada):

"...coisa muito se relevava [destacava] de fazer uma livraria [biblioteca]. E de belíssimas letras. porque naqueles tempos ainda não estava em uso A Imprensa. antes [bem] depois começam.
E este Abraão foi Embaixador junto ao Rei Renato [de Anjou] o qual se fazia dizer Rei de Nápoles da Sicília e Jerusalém. e Conde de Provença. Pelo que depois de seu grande conhecimento [amizade] com o mencionado Rei. O quis para si. do Duque Filippo [Maria Visconti]. Se ele o tinha. a conduzi-lo consigo no Reino Napolitano à conquista daquele:
E por sua Gratidão o fez Conde de um Lugar chamado Colonnella com a Baronia do Trânsito sobre o [¿rio?] com mero e misto império [poder judicial total] por isso em Capítulos perpétuos. ou como nisso o qual penso de pôr aqui abaixo a perpétua Memória em Honra de tais, embora aos presentes dias seja tal casa muito declinada [em decadência]."
Relato do Condado

7. Governador de Alexandria e a Ponte do Tanaro

Governador e Ponte

O manuscrito confirma que Abraão foi Governador sob o Duque Filippo Maria Visconti e realizou obras de infraestrutura maior.

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🇮🇹 Transcrição Original (Paleográfica):

"...dette osse o relige [reliquie] in essa Chiesia. a gle si può credere. di grata famelicità poi vil. memoria Re.
Fu dipo [dopo] Gubernator della Città de Alexta [Alessandria] sotto Philippo Duca: et nel suo Magistrato fece far il Ponte sopra il Tanaro. è in una Pilla [pilastra] del detto Ponte fece affiger la sua Insigna et nome. ma con il tempo è cascata. Gl'anbo del l'impeto del fiume. et portato.
La Grandezza sua si po cognoscere anchora in lo Volume delli Statuti vechij. ove si lege delli paci si fenno con il Conte Francesco Sforza p.° Duca."
🇪🇸 Tradução (Combinada):

"...ditos ossos ou relíquias nessa Igreja... a que se pode crer... de grata familiaridade depois vil memória Rei.
Foi depois Governador da Cidade de Alexandria sob Filippo [Maria Visconti] Duque: e em sua Magistratura [Governo] fez fazer a Ponte sobre o [rio] Tanaro. E num Pilar de dita Ponte fez fixar sua Insígnia [Brasão] e nome. Mas com o tempo caiu. Ambos [pelo] ímpeto do rio e levado.
A sua Grandeza se pode conhecer ainda no Volume dos Estatutos velhos, onde se lê das pazes [tratados de paz] [que] se fizeram com o Conde Francesco Sforza 1.° Duque."

Capítulo IV: Terra e Patrimônio

8. O Controle da Água (Ano 1400)

O manuscrito menciona a gestão da "Roggia Comune". Na economia lombarda, controlar os canais de irrigação era a base da riqueza.

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🇮🇹 Transcrição Original (Paleográfica):

"... de Vignev. [Vigevano] Alla piaza de Mercato ... uno mss. Pipino(?) verona il quale ha signore (?) ... Ganbbolo et li lasso con il Borgo de Santo Sirio ali Hospital de S. Ambrosio de Pavia. E cusi passarono... tal ora...

Roggia Comune in la Valle del Ticino, poi che ... te detta conta e detta comune questa secondo li Collugi fu agitato l'alveo da Uno ms. Anz.° Torniello padrone de l'affito vecchio. Si no l'anno 1400 per pro ... de fiorini trenta ... tempo stano de valuta de 93. Per fiorino il tal sommo ... tempo durato: che si erano appellati..."
🇪🇸 Tradução (Combinada):

"...de Vigevano. À praça do Mercado... um Micer Pipino [¿de?] Verona o qual tem senhor... Gambolò e os deixou com o Burgo de Santo Sirio ao Hospital de Santo Ambrósio de Pavia. E assim passaram... tal hora...

Roggia [Canal] Comum no Vale do Ticino, posto que... te dita conta e dita comum esta segundo os Colégios [¿Acordos?] foi agitado [discutido] o leito por Um Micer Angelo [o Ancião] Torniello, patrão [dono] do aluguel velho [arrendamento antigo]. Se não o ano 1400 por pro ... de florins trinta... tempo estão de valor de 93. Por florim a tal soma... tempo durado: que se haviam apelado [chamado]..."
Roggia Comune

Capítulo V: Crônicas de um Tempo Turbulento

Simone del Pozzo não foi só um burocrata; foi uma testemunha presencial do que o historiador G. Chittolini chama a "metamorfose" de Vigevano: o doloroso passo de ser um município livre a estar sob o controle férreo da corte ducal. Nestas páginas, abandona o latim legal para narrar com emoção as tragédias que marcaram sua geração.

Fólio 561: A Conjura.

9. O Assassinato do Duque (1476): "Mors Acerba"

O cronista relata o evento que mudou o destino de Milão: o assassinato do Duque Galeazzo Maria Sforza na igreja de Santo Estêvão.

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🇮🇹 Transcrição Original (Paleográfica):
"...fesse il morire che il detto anno nel tempo di S. Stephano prothomartire in Mila[no] da Gio. Andrea da Lampugnano et alcun altri coniu[rati] fu nel medemo giorno della sudetta Solemnita ociso... Ma Se diremo del Memorato Giovene... quando il carnifico gli pose la mane per ponerlo sopra il destro il tagliente coltello... stupidamente disse Mors Acerba, fama perpetua dabit vetus Memoria facti."
Ma Se diremo del Memorato Giovene [Olgiati]... quando il carnifico gli pose la mane per ponerlo sopra il destro il tagliente coltello... stupidamente disse Mors Acerba, fama perpetua dabit vetus Memoria facti."
🇪🇸 Tradução (Combinada):
"...fizesse o morrer que o dito ano no tempo de Santo Estêvão protomártir [26 de dezembro] em Milão, por Giovanni Andrea Lampugnani e alguns outros conjurados foi no mesmo dia da sobredita Solenidade morto [assassinado]... Mas se diremos do Recordado Jovem [o conjurado Girolamo Olgiati]... quando o carrasco [carnifice] lhe pôs a mão para pôr sobre o destro o cortante faca... [estupidamente / valorosamente] disse: 'A Morte é Amarga, mas a memória do feito dará fama perpétua'."
Mas se diremos do Recordado Jovem [Girolamo Olgiati]... quando o carrasco [carnifice] lhe pôs a mão para pôr sobre o destro o cortante faca... valorosamente disse: 'A Morte é Amarga, mas a memória do feito dará fama perpétua'."

10. A Peste de 1524: Um Testemunho Íntimo. "Morte de meus filhos"

Em um dos trechos mais comoventes, Simone narra a tragédia pessoal que atingiu sua própria casa durante a peste.

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🇮🇹 Transcrição Original (Paleográfica):
"...L'ano 1524. che mi in quarantena per la morte de Una mia sorella et de dui mei fioli morti di peste in la Sorella a Vicolongo terra della Biandrina ove io via sto dopo la fuga del Armiralio di Franza. Havendo lassato in ptro [pietro?] La gia detta peste. essendo a Orellie: no possendo venire..."
🇪🇸 Tradução (Combinada):
"...O ano 1524. que [me teve] a mim em quarentena pela morte de Uma minha irmã e de dois meus filhos mortos de peste na [fazenda] Sorella a Vicolongo, terra da Biandrina, onde eu via [estava refugiado] estou depois da fuga do Almirante de França. Havendo deixado em [pedra?] A já dita peste. estando a Orellie: não podendo vir..."

11. A Guerra Total: "Mãos Bárbaras". "O Demônio Semela"

O manuscrito descreve o caos das Guerras da Itália (década de 1550), explicando o contexto da ruína econômica da família.

📜 Ver Transcrição
🇮🇹 Transcrição Original (Paleográfica):
"...i tre essi regni [crebbe?] grave litte [lite] per che che per molti ani sano regnato tal lorso sono ... sanar male all'impreso lo reddito [di] tal loco... tutto pieno de barbare mani a crudeltà: et a gibo si agiunge... che il demonio semina di cera..."
🇪🇸 Tradução (Combinada):
"...os três esses reinos [Império, França, Espanha] cresceu grave litígio [guerra] pelo que que por muitos anos têm reinado tal curso são ... sanar mal ao empreendido a renda de tal lugar... todo cheio de mãos bárbaras à crueldade: e a [comida/giba?] se acrescenta... que o demônio semela [cizânia/ódio]..."

12. O Inventário do Declínio: "Lasso..." (O Legado)

Nas últimas páginas, Simone realiza um inventário melancólico do que a família possuía antes da guerra. É um testemunho da ruína econômica causada pelos conflitos internacionais na Lombardia.

📜 Ver Transcrição e Tradução
🇮🇹 Transcrição Original (Paleográfica):

"... pegio [peggio] ora se da muro era anforciato[?] delli soi mali, che li presse o volesse renderli ragione. per se si mene ora delli Superiori. Qui in qti [questi] tempi erane gl'il locho di refugio come m [mi] lo Monferrato o nel paeso del Duca di Savoia Sau... niuno corso li e rifugio per che tutti gli paeso sono tutti arsi bruciati in ardente guerra. Solo gli e che promette, sino al p[ri]mo giorno non si monde grano riso mi pare il tasso Reale. ccio [comincio] alli poveri tratto gl'hanno gli grani non... fossero tutti in ??

[Sección Final - El Legado] ...Lasso gli Boschi, Boschi in megio [mezzo] Se sono d... per Boschi. lasso le acque. lasso Li rodesi [ruote?] et Acqua. lasso le fortificatione delle Torri; lasso li Magazini de grani; Se si tace neli Poveri"
🇪🇸 Tradução (Combinada):

"... pior agora se de muro era reforçado [?] de seus males, que os oprimisse ou quisesse render-lhes razão. por si se conduz agora dos Superiores. Aqui nestes tempos eram o lugar de refúgio como me [disseram] Monferrato ou no país do Duque de Saboia... nenhum curso ali é refúgio porque todos os países estão todos ardidos [queimados] em ardente guerra. Só ali é que promete, até o primeiro dia não se monda [limpa/colhe] o grão [de] arroz me parece a taxa [imposto] Real. começo aos pobres tratado os têm os grãos não... fossem todos em ??

[Seção Final - O Legado] ... Lego [Deixo] os Bosques, Bosques em meio Se são d... por Bosques. lego as águas. lego As rodas [¿de moinho?] e Água. lego as fortificações das Torres; lego os Armazéns de grãos; Se se cala nos Pobres"
Inventário Final

Capítulo VI: Privilégios e Símbolos

13. O Privilégio Fiscal: Isenção da "Tassa dei Cavalli"

O manuscrito contém a cópia de um Privilégio Ducal que isenta Abraão Ardizzi e seus herdeiros do "Imposto de Cavalos" (tributo militar) em perpetuidade, em reconhecimento a seus fiéis serviços.

💡 Nota Histórica: A "terra da Sforzesca" mencionada no privilégio não era um campo qualquer. Segundo Chittolini, era a "grande granja modelo ducal", um complexo avançado de bens imóveis e direitos jurisdicionais que representava o coração econômico do Duque na região.

📜 Ver Transcrição e Tradução
🇮🇹 Transcrição Original (Paleográfica):
"Copia del Privilegio concesso a... Abraham Ardicio... sopra la Tassa de i Cavalli... In nomine Domini amen. Noi Sforza Duca di Milano... Havendo noi rispetto alla fedel servitù... di detto Messer Abraham Ardicio... concediamo et faciamo gratia... che sia esente et immune... dalla Tassa de Cavalli... in la terra de la Sforzesca... ne per li beni stabili che possiede nel Basso... per suoi heredi et successori in perpetuo... Dato in Milano..."
🇪🇸 Tradução (Combinada):
"Cópia do Privilégio concedido a... Abraão Ardizzi... sobre o Imposto dos Cavalos... Em nome do Senhor amém. Nós Sforza, Duque de Milão... Havendo nós respeito [consideração] ao fiel serviço... de dito Senhor Abraão Ardizzi... concedemos e fazemos graça [favor]... que seja isento e imune... do Imposto de Cavalos [tributo militar]... na terra da Sforzesca... nem pelos bens imóveis que possui no Baixo [¿bairro ou terras baixas?]... para seus herdeiros e sucessores em perpetuidade... Dado em Milão..."

14. A Origem do Brasão: "Lírios de Ouro"

Simone del Pozzo transcreve a descrição oficial do selo real que pende do diploma de Conde. Explica por que o brasão da família leva os símbolos da Casa Real de França.

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🇮🇹 Transcrição Original (Paleográfica):
"La Sigilla è come recita isso Privilegio munita de oro de argento ne scuro finissimo a sopra esso imprompta La Insegna Regia. cioè Li lily in color de oro in Campo azuro li è concessa dalla M. del Regno di Sicilia e per la del Regno Neapolitano. Quella anchora del Regno di Hierusalem et Quella della C.[asa] o Ducato de Andegavia... chi ne Dua altra La qle da me no è cognosciuta ma in essa li sono dui Pesci di oro in alcune Croce de Oro in campo Celeste."
🇪🇸 Tradução (Combinada):
"O Selo é como recita esse Privilégio provido de ouro de prata nem escuro finíssimo a sobre isso impressa A Insígnia Régia. isto é Os lírios [Flores de Lis] em cor de ouro em Campo azul lhe é concedida da Majestade do Reino da Sicília e pela do Reino Napolitano. Aquela ainda do Reino de Jerusalém e Aquela da C.[asa] ou Ducado de Anjou... quem de Duas outra A qual de mim não é conhecida mas nessa lhe são dois Peixes de ouro em alguma Cruz de Ouro em campo Celeste [provavelmente o brasão do Ducado de Bar]."

Capítulo VIII: Curiosidades Documentais

Pequenos detalhes na crônica que revelam a vida cotidiana e o método de investigação do próprio Simone del Pozzo.

🍷 15. O Privilégio do Vinho (As Adegas do Castelo)

Simone narra uma lembrança de infância que demonstra o status exclusivo da família. Só os nobres "antigos" (Colli, Pozzo, Ardizzi) tinham direito a ter adegas de vinho privadas dentro do recinto do Castelo Sforzesco; o resto eram simples comerciantes.

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🇮🇹 Transcrição Original (Fólio 136R):
"Ho parlato con una dona essendo fanciulo q[ua]l fu madre duno Marchino bellazo la q[ua]l referiva che essendo fanciula se ricordava esser andato a tor il vino in detto castello e che altre caneve o cantine no[n] erave che q[ue]lle del castello excetto q[ue]lle chavevano q[ue]lli della casa de Colli et de Pozi e Arditij, tutti altri parentati como diro alli soi lochi erano tutti massari o fornasari..."
🇪🇸 Tradução Combinada:
"Falei com uma mulher sendo [eu] rapaz, a qual foi mãe de um Marchino Bellazo, a qual referia que sendo moça se lembrava de ter ido tomar o vinho em dito castelo e que outras adegas ou cantinas não havia que aquelas do castelo exceto aquelas [que] tinham aqueles da casa de Colli e de Pozzi e Ardizzi, todos os outros parentes como direi em seus lugares eram todos caseiros [fazendeiros] ou forneiros..."

⚖️ 16. O Pleito que Revelou a Verdade

Como soube Simone que Ardizzi e Pozzo eram o mesmo? Não foi só tradição oral. Ele explica que, durante um juízo fiscal contra a "Câmara Cesárea" (Imperial) para não pagar impostos, teve que revolver os arquivos da comunidade e ali encontrou a prova física.

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🇮🇹 Transcrição Original (Fólio 549V):
"...voltando le scriture della p.ta [predetta] comunita si trovo un libro penso fosse de catastri ove era scritto Arditio de Puteo per il che ivi si manifesta oltra li altri fondamenti esser una et idem."
🇪🇸 Tradução Combinada:
"...revisitando [revisando] as escrituras da dita comunidade se encontrou um livro, penso fosse de cadastros, onde estava escrito Arditio de Puteo [Ardicio del Pozzo] pelo que ali se manifesta, ultra [além de] os outros fundamentos, ser una e idem [a mesma coisa/família]."

Valor Histórico

Este manuscrito de 1550 fecha o círculo genealógico, confirmando documentalmente a identidade Pozzo-Ardizzi, o apogeu econômico e a legitimidade de seus símbolos nobiliários.